quinta-feira, 22 de fevereiro de 2024

QUEM ÉS TU

 

QUEM ÉS TU?

Ainda ontem pensava que não era mais do que um fragmento trêmulo sem ritmo na esfera da vida.

Hoje sei que sou eu a esfera, e a vida inteira em fragmentos rítmicos move-se em mim.

Eles dizem-me no seu despertar:
" Tu e o mundo em que vives não passais de um grão de areia sobre a margem infinita de um mar infinito."

E no meu sonho eu respondo-lhes:

"Eu sou o mar infinito, e todos os mundos não passam de grãos de areia sobre a minha margem."

Só uma vez fiquei mudo.
Foi quando um homem me perguntou:
"Quem és tu?"

Khalil Gibran

 

 

O SILÊNCIO DA SEMENTE DA VIDA

 

O SILÊNCIO DA SEMENTE DA VIDA

Sinto-me como uma semente no meio do inverno, sabendo que a primavera se aproxima.

O broto romperá a casca e a vida que ainda dorme em mim haverá de subir para a superfície, quando for chamada.

O silêncio é doloroso, mas é no silêncio que as coisas tomam forma, e existe momentos em nossas vidas que tudo que devemos fazer é esperar.

Dentro de cada um, no mais profundo no ser, está uma força que vê e escuta aquilo que não podemos ainda perceber.

Tudo o que somos hoje nasceu daquele silêncio de ontem.

Somos muito mais capazes do que pensamos.

Há momentos em que a única maneira de aprender é não tomar qualquer iniciativa, não fazer nada.

Porque, mesmo nos momentos de total inação, esta nossa parte secreta está trabalhando e aprendendo.

Quando o conhecimento oculto na alma se manifesta, ficamos surpresos conosco mesmos, e nossos pensamentos de inverno se transformam em flores, que cantam canções nunca antes sonhadas.

A vida sempre nos dará mais do que achamos que merecemos.

 

Khalil Gibran

 

ÂNSIA DA VIDA POR SI MESMA

 

ÂNSIA DA VIDA POR SI MESMA

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

Khalil Gibran