quinta-feira, 27 de fevereiro de 2025

SERMÃO DA MONTANHA

 



SERMÃO DA MONTANHA (ESTUDO BÍBLICO)

Também conhecido como Sermão do Monte, o Sermão da Montanha foi uma pregação feita por Jesus, onde Ele ensinou Princípios importantes sobre a F e Vida Cristã.

Este discurso está descrito nos evangelhos de Mateus e Lucas, sendo composto pelos seguintes temas:

Bem Aventuranças (8 características da verdadeira felicidade);

"Sal da Terra" e "Luz do Mundo" - A importância de ser exemplo;

A Lei do amor (obediência, ira, adultério, divórcios, juramento, vingança e inimigos);

Práticas espirituais dos cristãos (orar, jejuar, ajudar os necessitados);

Buscar 1º o Reino de Deus - Confiança em Deus é a prioridade;

Resumo da Lei de Cristo - tratar os outros como deseja ser tratado;

A porta estreita e a decisão pessoal - o caminho para seguir nem sempre é o mais fácil;

Quem entra no Reino de Deus - Os verdadeiros discípulos.

 

1. "BEM AVENTURANÇAS": SIGNIFICADO E EXPLICAÇÃO

Jesus começa ensinando quem são os verdadeiramente felizes aos olhos de Deus. "Bem Aventurado" significa mais que feliz, ou Felicidade Verdadeira. Jesus disse que os Felizes de Verdade são aqueles que se entregam a Deus, dependendo Dele e compreendem a necessidade dos outros (as).

 Ele diz que a Felicidade não está em riquezas ou poder, mas virtudes como essas 8 características dos Bem Aventurados, que são:

"Os pobres de espírito" porque "deles é o reino dos Céus"- As pessoas humildes são felizes, pois participam do reino de Deus.

"Os que choram" porque "serão consolados" - é feliz quem é humilde e depende de Deus

" Os mansos" porque "herdarão a terra"- a mansidão é uma característica marcante de Jesus, é sinônimo de humildade, bondade e gentileza.

"Os que têm fome e sede de justiça, porque serão satisfeitos" - nossa maior busca na vida não deve ser egoísta mas teremos satisfação se formos justos, buscando a justiça de Deus.

Os misericordiosos porque receberão misericórdia" - os filhos de Deus alcançarão misericórdia porque também agem com misericórdia.

"Os puros de coração por que verão a Deus" - a pureza do coração está relacionada à busca por Aquele que nos lava e purifica com a Sua Palavra.

"Os pacificadores, porque serão chamados filhos de Deus" - Mais que viver a Paz de Deus, os Seus filhos se dedicam a promover a paz, onde quer que estiverem.

"Os perseguidos por fazerem o bem, porque deles é o Reino dos Céus." Aqueles justos importunados por causa de sua fé em Cristo, receberão o Reino de Deus.

2. "SAL DA TERRA" E "LUZ DO MUNDO": IMPORTÂNCIA DE SER EXEMPLO

Nesta segunda parte de seu discurso, Jesus chama a atenção para a responsabilidade de Seus seguidores neste mundo. Ele disse que devemos ser como o sal, que dá sabor e preserva, e como a luz, que ilumina.

Isso significa ser uma influência positiva por onde passar. Fazendo bem, com amor, sendo honesto, justo e espalhando bondade no mundo, expressando todas aquelas virtudes que já foram mencionadas nas Bem- Aventuranças.

3. "A LEI DO AMOR (OBEDIÊNCIA, IRA, ADULTÉRIO, DIVÓRCIOS, JURAMENTO, VINGANÇA E INIMIGOS)"

Na sequência de Seus ensinamentos, Jesus chama a atenção para a Importância do Amor e do Perdão na Vida de Seus filhos.

VEJA ALGUNS DESSES PRINCÍPIOS


Obediência - Não devemos somente conhecer, mas obedecer e ensinar a Lei de Deus.

Ira e inimizades - Não basta não matar; também devemos evitar inimizades e julgamento alheio, buscando reconciliação com aqueles que têm algo contra nós.

Adultério - Não basta ser aparentemente fiel; devemos ter pureza nos pensamentos e no olhar.

Juramentos - Não devemos fazer juramentos a ninguém, mas nossa palavra deve inspirar confiança. Devemos ser corretos com a nossa palavra cumprindo sempre o que prometemos.

Vingança - Não devemos retribuir as ofensas alheias, nem desejar o mal ao outro que nos feriu.

Amor aos inimigos - Ama até os inimigos e orar por quem nos prejudica.

4. PRÁTICAS ESPIRITUAIS

Jesus ensinou a orar, jejuar e ajudar os necessitados com sinceridade, sem querer mostrar isso aos outros. Também nos deu o "Pai Nosso", uma oração modelo simples e profunda.

5. CONFIANÇA EM DEUS É A PRIORIDADE

Nesta passagem Jesus nos ensina a não nos preocuparmos excessivamente com dinheiro ou com o futuro. Confiar em Deus deve ser a nossa prioridade. É neste momento que Ele proferiu a conhecida frase: "busquem em primeiro lugar o Reino de Deus e Sua justiça, que essas outras coisas lhes serão acrescentadas"(Mateus 6:33). Neste ponto, o Senhor garante que Deus cuida de nós e sabe do que precisamos.

6. A REGRA DE OURO: TRATE OS OUTROS COMO DESEJA SER TRATADO

Este é o "resumo" do Sermão. Faça para os outros o que você gostaria que fizessem para você.

7. ESCOLHA O CAMINHO CERTO - "A PORTA ESTREITA"

Jesus ensina que o caminho para segui-Lo nem sempre é o mais fácil. Mas a decisão é pessoal, e consoante à escolha, haverá consequências. Aquele que decide seguir o caminho de Cristo irá dar bons frutos, mas os que não seguem, produz frutos ruins e sofrerá as consequências.

8. QUEM ENTRA NO REINO DE DEUS - OS VERDADEIROS DISCÍPULOS

Jesus termina dizendo que aquele que entra no Reino de Deus é o que faz a Sua vontade. Não são os que apenas confessam o nome, mas os que ouvem às Suas Palavras e as pratica. Assim, estes estão firmes no Senhor, são como uma casa bem alicerçada, estão firmes na Rocha.

Mas os que ouvem e não praticam sofrerão as consequências. Como uma casa mau construída, terminará em ruína, quando castigada pelas adversidades. Escolher o caminho de Deus pode ser desafiador, mas leva à verdadeira vida.

ESTUDO BÍBLICO SOBRE O SERMÃO DA MONTANHA

Também conhecido como Sermão do Monte, o Sermão da Montanha foi feito por Jesus durante seu ministério itinerante de pregação, ensino e cura. Ele apresenta os valores do Reino dos Céus, destacando a importância das atitudes interiores, como pureza de coração e humildade.

Antes do sermão começar, vemos no capítulo 4 o início do ministério de Jesus, quando anuncia a vinda do Reino de Deus (Mateus 4:17, 23). Para consolidar as leis desse Reino, Jesus transmite este sermão, com o objetivo de tornar claro a conduta esperada dos seus súditos (seus seguidores, os cristãos).

Onde está localizado o sermão da montanha

O Sermão está localizado, em sua totalidade, no evangelho de Mateus, no capítulo 5:1 até 7:29. Além dessa localização, trechos também são encontrados em Lucas 6.

PARA QUEM FOI FEITO O SERMÃO

TODA MULTIDÃO OUVIU O SERMÃO DE JESUS.

Em Mateus 5:1 Jesus vê as multidões, sobe ao monte, se senta e seus discípulos se aproximam. Em um primeiro momento, parece que Jesus está ensinando só os discípulos, mas ao fim do sermão é dito que as multidões estavam maravilhadas com o ensino de Jesus (7:28-29).

Então podemos entender que toda multidão ouviu o sermão.

COMPREENDENDO O SERMÃO DA MONTANHA

INTRODUÇÃO

As Bem-aventuranças (5:3-12): bem-aventurado significa "é feliz aquele". Essa é uma estrutura comum na poesia e sabedoria hebraica para indicar onde está a felicidade ou quem é feliz e por quê. Jesus surpreende seus ouvintes no seu ensino sobre a felicidade, porque todos os que são bem-aventurados são pessoas que estão sofrendo de alguma forma.

O sal da terra e a luz do mundo (5:13-16): a missão básica dos seguidores de Jesus no mundo, conservar e guiar.

Vocês são o sal da terra. Mas, se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens.
Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte.
Mateus 5:13-14

Jesus Cumpre a Lei (5:17-20): ele explica sua própria missão, que não é de revogar ou negar a Lei de Moisés, mas é de pôr ela em prática.

Não pensem que vim abolir a Lei ou os Profetas; não vim abolir, mas cumprir.
Mateus 5:17

O QUE NÃO FAZER

Homicídio (5:21-26): Jesus sobe o nível da Lei. Antes o homicídio era o assassinato, mas agora só o ódio já é considerado um homicídio, e quem ofende o próximo está correndo risco de ser incriminado.

Vocês ouviram o que foi dito aos seus antepassados: 'Não matarás', e 'quem matar estará sujeito a julgamento'.
Mas eu digo a vocês que qualquer que se irar contra seu irmão estará sujeito a julgamento.
Mateus 5:21-22

Adultério (5:27-30): mais uma vez Jesus sobe o nível. Antes apenas o adultério era pecado, agora só de pensar em possuir outra pessoa já é adultério.

Mas eu digo: Qualquer que olhar para uma mulher e desejá-la, já cometeu adultério com ela no seu coração.
- Mateus 5:28

Divórcio (5:31-32): a vontade de Deus nunca foi que maridos e mulheres se separassem, mas abriu uma única exceção, o adultério. Todo divórcio que não se deu por esse motivo, é como se não existisse aos olhos de Deus e o casal continuasse casado.

Juramentos (5:33-37): Jesus se opõe a má prática de juramento, que estava sendo abusada pelos judeus. Ao invés de jurarem, Jesus instrui que ninguém jure como forma de validar suas palavras, mas que cada um sempre cumpra o que disse.

Vingança (5:38-42): Jesus ensina que vingança não é sinônimo de justiça, e que na lógica do Reino de Deus devemos retribuir positivamente aquilo que recebemos negativamente.

Mas eu digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra.
- Mateus 5:39

Odiar os inimigos (5:43-48): subvertendo a ordem de que as pessoas deveriam odiar os seus inimigos, Jesus instrui que amá-los é o jeito certo de tratar os inimigos. Ele diz, inclusive, para que as pessoas orem a Deus em favor daqueles que os perseguem.

Mas eu digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem
Mateus 5:44

O QUE FAZER

Tenham o cuidado de não praticar suas 'obras de justiça' diante dos outros para serem vistos por eles. Se fizerem isso, vocês não terão nenhuma recompensa do Pai celestial.
Mateus 6:1

Ajuda aos necessitados (6:1-4): a prática de esmolas ou auxílio àqueles que mais precisam é uma ordem clara de Cristo. Ele adverte, ainda, para que ninguém anuncie isso esperando aprovação das outras pessoas.

Oração (6:5-15): A Oração é a ação mais básica esperada de um cristão, e Jesus ensina seus discípulos a orarem com a conhecida Oração do Pai Nosso. Sua advertência anterior também está presente: não anuncie que está orando, mas faça isso em secreto, porque o Pai que vê em secreto assim recompensará.

Jejum (6:16-18): a terceira prática esperada dos cristãos é o jejum, e a sua advertência continua presente: não mostrar aos outros que está jejuando.

CUIDADOS GERAIS

Os tesouros no céu (6:19-24): quem se preocupa demais com os bens materiais, se preocupa com aquilo que irá naturalmente se degradar ou se perder. Quem se preocupa com as coisas do céu, se preocupa com o que é eterno. Jesus ensina que ao invés de nos preocuparmos em acumular tesouros nessa vida, devemos nos empenhar em acumular tesouros na vida eterna.

As preocupações da vida (6:25-34): Jesus instrui que as pessoas devem se preocupar com as coisas eternas, em vez de coisas passageiras. O Reino de Deus e a sua justiça deve ser a maior preocupação do cristão, não roupa, comida ou emprego.

Busquem, pois, em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça, e todas essas coisas serão acrescentadas a vocês.
- Mateus 6:33

.

Julgamento ao próximo (7:1-6): esse é um trecho muito mal interpretado, pois Jesus não está proibindo as pessoas de julgarem, mas as instrui para julgarem de maneira correta. Antes de dizer que alguém está errado ou fazendo algo errado, deve-se investigar a si mesmo para ver se não está tropeçando na mesma coisa, pois seria hipocrisia.

Hipócrita, tire primeiro a viga do seu olho, e então você verá claramente para tirar o cisco do olho do seu irmão.
Mateus 7:5

Persistência na Oração (7:7-12): nesse trecho Jesus ressalta a confiança que as pessoas devem ter em Deus, e que Ele suprirá nossas necessidades. Por isso, devemos continuar orando e pedindo a Deus.

A PRÁTICA DA VERDADE

Porta estreita e porta larga (7:13-14): uma das falas mais duras que Jesus já disse. Aqui ele explica que entrar no Reino dos Céus não é algo fácil e a vida de quem segue a Deus também não será, envolverá perdas e restrições. Por outro lado, o caminho do mundo e da libertinagem é muito mais fácil, mas certamente não levará ninguém à Deus.

Entrem pela porta estreita, pois larga é a porta e amplo o caminho que leva à perdição, e são muitos os que entram por ela.
Mateus 7:13

A Árvore e seu Fruto (7:15-23): Esse trecho serve para saber quem é de Deus e quem não é: pelas suas obras. Quem possui bons frutos, deve ser uma pessoa boa. Mas quem tem maus frutos, deve ser uma pessoa má. Ainda assim, deve-se ter em vista que Jesus está se referindo, em especial, aos falsos mestres (7:15), ou seja, sua maior preocupação é com a qualidade do ensino que as pessoas estão consumindo.

O Prudente e o Insensato (7:24-29): Nesse trecho Jesus mostra a importância do seu ensino. Quem o ouve e pratica é sábio e salva sua vida. Quem o ouve mas não pratica é tolo e encontrará somente perdição.

Portanto, quem ouve estas minhas palavras e as pratica é como um homem prudente que construiu a sua casa sobre a rocha.
- Mateus 7:24

O Sermão da Montanha nos ensina a viver com Amor, Fé e Confiança em Deus, mostrando como Ser Luz neste mundo. Seguir esses princípios transforma não só a Nossa Vida, mas também impacta positivamente as pessoas ao nosso redor.

 

BíbliaOn


QUE É SER FELIZ?

 

QUE É SER FELIZ?

Felicidade — eis o clamor de toda a creatura.

Todo o resto é meio; só a felicidade é um 􀉹m.

Ninguém deseja ser feliz para algo; quer ser feliz para ser feliz.

A felicidade é a suprema autorrealização do ser.

QUE É SER FELIZ?

Ser feliz é estar em perfeita harmonia com a constituição do

Universo, consciente ou inconscientemente.

A natureza extra hominal é inconscientemente feliz, porque está

sempre, automaticamente, em harmonia com o Universo.

Aqui na terra só o homem pode ser conscientemente feliz — e

também conscientemente infeliz.

A natureza possui, por assim dizer, uma felicidade neutra, ou

inconsciente — o homem pode possuir uma felicidade positiva

ou uma infelicidade negativa.

Com o ser humano começa a bifurcação da

linha única da natureza; começa o estranho fenômeno da

liberdade em meio à universal necessidade.

A natureza só conhece um dever compulsório.

O ser humano conhece um querer espontâneo, seja rumo ao positivo, seja rumo ao negativo.

O desejo universal é a felicidade; e, no entanto, poucos seres

humanos se dizem felizes.

A imensa maioria da humanidade tem a potencialidade

ou a possibilidade de ser feliz; mas poucos têm a felicidade

atualizada ou realizada.

O poder-ser-feliz é uma felicidade incubada, porém

não nascida; ao passo que ser-feliz é uma felicidade eclodida.

QUAL É A RAZÃO ÚLTIMA POR QUE MUITOS SERES HUMANOS NÃO SÃO FELIZES,QUANDO O PODERIAM SER?

Passam a vida inteira, vinte, cinquenta, oitenta anos, marcando

passo no plano horizontal do seu ego externo, e ilusório —

nunca mergulharam nas profundezas verticais do seu Eu interno

e verdadeiro. E, quando a sua infelicidade se torna insuportável,

procuram atordoar, esquecer, narcotizar temporariamente esse

senso e essa infelicidade, por meio de diversos expedientes da

própria linha horizontal na qual a infelicidade nasceu.

 Não compreendem o seu erro de lógica e matemática:

Que horizontal não cura horizontal,

assim como as águas de um lago não movem uma turbina colocada ao mesmo nível.

Somente o vertical pode mover o horizontal, assim

como somente as águas de uma cachoeira podem mover uma

turbina.

Quem procura curar os males do ego pelo próprio ego comete

um erro fatal de lógica ou de matemática.

Não há cura de igual a igual, mas tão somente de superior para inferior, de vertical para horizontal.

Camuflar com derivativos e escapismos a infelicidade não é

solucionar o problema; é apenas mascará-lo e transferir a

infelicidade para outro tempo — quando a infelicidade torna a se manifestar com dobrada violência.

Remediar é remendar — não é curar, erradicar o mal.

A cura e erradicação consiste unicamente na entrada em uma

nova dimensão de consciência e experiência.

 Não consiste em uma espécie de continuísmo, mas sim em um

novo início, em uma iniciativa inédita, numa verdadeira iniciação.

Não se trata de “pôr remendo novo em roupa velha”, na

linguagem do Nazareno; trata-se de realizar a “nova creatura em

Cristo”, que é a transição da consciência do ego horizontal e

ilusório para a consciência do Eu vertical e verdadeiro.

Todos os mestres da humanidade afirmam que a verdadeira

felicidade do ser humano aqui na terra consiste em “amar o

próximo como a si mesmo (a)”.

Ou então em “fazer aos outros o que queremos

que os outros nos façam”.

Existe essa possibilidade de eu amar meu semelhante assim como amo a mim mesmo (a)?

Em teoria, muitos o afirmam; na prática poucos o fazem.

DE ONDE VEM ESSA DIFICULDADE?

Da falta de um verdadeiro autoconhecimento.

Pouquíssimos seres humanos têm uma visão nítida da sua genuína realidade interna.

Quase todos se identificam com alguma facticidade externa,

com o seu ego físico, seu ego mental ou seu ego emocional.

E por essa razão não conseguem realizar o amor-alheio igual ao

amor-próprio, não conseguem amar o seu próximo (a) como amam a si mesmos (as).

Alguns, num acesso de heroica estupidez, tentam amar o

próximo (a) em vez de amar a si mesmos (as), o que é

flagrantemente antinatural,

como também contrário a todos os mandamentos dos mestres da humanidade.

Todos sabem que o amor-próprio de todo ser vivo é a

quintessência do seu ser; nenhum ser vivo pode existir por um

só momento sem amar a si mesmo (a); esse amor-próprio é

idêntico à sua própria existência.

Amor Próprio não é necessariamente egoísmo.

Egoísmo é o Amor Próprio

exclusivista, ao passo que o verdadeiro Amor Próprio é

inclusivista, inclui todos os amores alheios no seu Amor Próprio,

obedecendo assim ao imperativo da natureza e à voz de todos

os mestres espirituais da humanidade.

Enquanto o ser humano marca passo no plano horizontal do seu

ego, o que pode haver em sua vida é guerra e armistício, mas

nunca haverá Paz.

Armistício é uma trégua entre duas guerras; é uma

guerra fria do ego, que amanhã pode explodir em guerra quente.

O Ego ignora totalmente o que seja a Paz.

 O Ego de boa vontade assina armistícios temporários, o ego de

má vontade declara guerra de maior ou menor duração, mas

nem esse nem aquele sabe o que seja paz.

Em vésperas da sua morte, disse o Nazareno a seus discípulos:

“Eu vos dou a Paz, eu vos deixo a Minha Paz”.

E para evitar qualquer confusão entre Paz e Armistício, logo acrescentou:

“Não dou a Paz assim como o mundo a dá. Eu vos dou a Paz

para que Minha Alegria esteja em voz, seja perfeita a vossa

alegria, e nunca ninguém tire de vós a vossa alegria”.

Paz e Alegria duradouras nada têm a ver com guerra e

armistício, que são do ego, de boa ou má vontade.

A Paz e a Alegria permanentes são unicamente as do Eu Divino no Ser Humano.

E onde não houver Paz e Alegria permanentes não há Felicidade.

Onde não há Autoconhecimento, experiência da realidade divina

do Eu espiritual, não há Felicidade, Paz, Alegria.

Enquanto o ser humano conhece apenas o seu ego físico-

mental-emocional, vive ele no plano

da guerra e do armistício; quando descobre o seu Eu espiritual,

faz o grande tratado de Paz e de Alegria no Templo da Verdade

Libertadora.

Armistício, certamente, é melhor que guerra, mas não é Paz, e

por isso não garante felicidade duradoura ao ser humano.

Por essa razão, o ser humano, no plano da guerra e do

armistício infelizes, procura de todos os modos se esquecer, por

umas horas, por uns dias, por umas noites, de sua falta de

felicidade, indo à caça desenfreada de todas as diversões; uns

se narcotizam com dinheiro, negócios, comércio, indústria; com

ciências e artes; outros ainda se embriagam com luxúria sexual, com álcool e outros entorpecentes;

outros, os mais ricos, viajam de país em país, de mar em mar, e

enquanto isso se esquecem de sua infelicidade, julgam ser felizes.

Praticam, no mundo espiritual, o mesmo charlatanismo que

praticam no mundo material: reprimem os sintomas do mal por

meio de anestésicos e analgésicos e nunca chegam a erradicar a raiz do mal, que seria o autoconhecimento, e a subsequente

autorrealização, que lhes dariam saúde e paz definitivas.

Os mestres também deixaram perfeitamente claro que essa Paz

Durável, sólida, dentro do ser humano e entre os seres

humanos, não é possível no plano meramente horizontal do ego

para ego, mas exige imperiosamente a superação desse plano,

o ingresso na ignota zona da verticalidade do Eu.

Os grandes mestres, sobretudo o Cristo, não

convidaram os seus discípulos apenas para passar de um ego

de má vontade (vicioso) para um ego de boa vontade (virtuoso)

— a mensagem central de todos os mestres tem um caráter

metafísico, ontológico, cósmico; é a transição de todos e

quaisquer planos horizontais-ego para a grande vertical do Eu

da sabedoria, do “conhecimento da Verdade Libertadora”.

Quase todas as nossas teologias fazem crer que os mestres,

sobretudo o Divino Mestre, tenha convidado os seres humanos  

apenas para que passassem da viciosidade para a virtuosidade

— quando eles os convidaram para

uma zona infinitamente além do vicioso e do virtuoso —, para a

região suprema da sabedoria, da compreensão do seu Eu divino,

que eles chamam Pai, Luz, Reino, Tesouro, Pérola Preciosa…

O ego de boa vontade é, certamente, melhor que o ego de má

vontade, mas só o Eu Sapiente está definitivamente remido de

todas as suas irredenções e escravidões.

Somente a Verdade, intuída e

vivida, é que dá Libertação Real e Definitiva.

A Felicidade, a Alegria, a Paz são os Frutos da Verdade

Libertadora.

Rohden.